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SUCESSO DE PÚBLICO E CRÍTICA


Figurando entre os maiores êxitos da Prefeitura Municipal de São Paulo na atual gestão, a aclamada iniciativa “Faixa Azul”, como intentava, por premissa seu idealizador, o diretor de Planejamento da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), engenheiro Luis Fernando Romano Devico, naturalmente avalizado para os primeiros testes, tanto pelo secretário de Mobilidade e Trânsito Ricardo Teixeira, quanto pelo prefeito Ricardo Nunes, ambos entusiastas de primeira hora do conceito, segue salvando vidas e garantido uma camada de segurança extra de fluidez para os motociclistas.


Iniciada como projeto piloto na Avenida 23 de Maio, ela agora avança com sucesso, apresentando números positivos no seu maior desafio até o momento: a implantação e o corrente uso (intenso, claro) na Avenida dos Bandeirantes. Aprendizado e interlocução, não necessariamente na mesma ordem, mas obrigatoriamente juntos, mais do que instrumentos de entendimento, são componentes elementares de um estilo de gestão de trânsito, que caracteriza a atual administração pública do município de São Paulo.

Incorporando conceituações modernas, como “humanização” e estabelecendo muito firmemente a segurança como ferramenta capaz de atingir o objetivo de “preservação da vida”, no trânsito, a “Faixa Azul”, em que pese, seja uma iniciativa bem sucedida ao tratar de forma organizada um dos “elos” mais frágeis nas relações entre veículos no sempre pesado tráfego da capital é, de fato, mais uma dentre várias outras iniciativas que estão sendo promovidas pelo poder público municipal, com imenso potencial, não apenas sob o sério prisma da prevenção de acidentes, como também para incrementar a qualidade da experiência de viver na megalópole. “Estamos procurando observar, ouvir. Acima de tudo, atuar com inteligência, percebendo os movimentos que a própria população tem feito, como, por exemplo, o de buscar uma maior conciliação entre trabalho, moradia e lazer, em um raio de deslocamento mais curto entre todas essas atividades, a chamada distritalização”, como apontou o secretário Municipal de Mobilidade e Trânsito, Ricardo Teixeira, que assinalou, neste sentido, a utilização de dispositivos como as “lombofaixas”, e um outro grande projeto piloto, a ser implantado no Parque São Rafael, em parceria com a Bloomberg, que irá sinalizar e oferecer uma nova forma de gerir o trânsito, dentro de um conceito de “microcidade”, criando condições mais favoráveis a uma circulação de pessoas à pé, respeitando, justamente essa percepção de menores distâncias de deslocamento, em áreas mais concentradas, em sua grande maioria sem uso de veículos.


ITEM IMPORTANTE DE UM “ENVELOPE” DE SEGURANÇA

“O projeto começa com uma conversa minha com o então vereador Ricardo Teixeira, dois ‘veteranos’ de CET acerca de uma nova abordagem para aplacar os assustadores índices de mortes de motociclistas em nosso trânsito”, explicou para Rodovias&Vias o engenheiro e diretor de Planejamento da CET, Luis Fernando Devico. “Esta era uma questão de redução de acidentes com motociclistas, era tema recorrente em nossas conversas, e, quando ele assumiu a secretaria, fui chamado por ele para pôr em prática essa diretriz. Uma diretriz pautada, não apenas pelo nosso desejo, mas por uma determinação do prefeito Ricardo Nunes, que foi inclusive colocada como meta, a meta de número 39 de governo, que sabemos de cor, pois trabalhamos com ela todos os dias, que é a redução do número de acidentes na cidade de São Paulo, de 6,5 para cada 100 mil, para 4,5 a cada 100 mil. Parece pouco, mas é muito próximo de índices verificados, por exemplo, no Japão”. Revelou o experiente engenheiro, que também possui ampla experiência em segurança e operações em rodovias, acrescentando ainda que, a “Faixa Azul”, consiste em mais um pioneirismo dentro de uma extensa lista de iniciativas da CET que, felizmente “pegaram” e se alastraram não apenas por São Paulo, mas pelo país, como ostensivas fiscalizações promovidas para o uso do cinto de segurança, a concepção e adoção de faixas exclusivas de ônibus, ciclovias e ciclofaixas, travessias de pedestres e mais recentemente, as já mencionadas “lombofaixas. “Olhando esse restrospecto, nós notamos que era necessário e urgente tratar adequadamente as motos, tendo em mente duas experiências anteriores que não surtiram os efeitos desejados: as motofaixas da Sumaré, da Vergueiro e mesmo na própria 23 de Maio, onde foi feito um teste com cones na faixa 1, o que gerou um certo receio de retomar este assunto”, recorda o diretor.


SOLUÇÃO A VÁRIAS MÃOS

“Como eu tinha estudado o assunto muito a fundo, comecei a trabalhar, internamente com o corpo técnico da CET, no sentido de construir uma solução. Algo consertado e de forma algum colocado como uma imposição. E a solução começou a efetivamente acontecer com a colaboração das pessoas. Toda a construção, na primeira fase, passou por esse desenvolvimento interno” explicou o diretor. “Já para a segunda fase de testes da Faixa Azul, nós achávamos imprescindível a participação de quem realmente usava motocicleta. E “heavy user” mesmo. Foi então que nós contatamos o sindicato (Sindicato dos Mensageiros Motociclistas, Ciclistas e Mototaxista Intermunicipal do Estado de São Paulo - SindimotoSP), a associação (Associação dos Motofretistas de Aplicativos e Autônomos – AMABR) e mesmo representantes de Moto Clubes, por que afinal, eram eles quem tinham que testar, nos fornecer subsídios para uma alternativa que fosse adequada para eles. A própria decisão de colocar a faixa para a esquerda, foi sugerida por eles”, detalhou o engenheiro. A partir daí, o grupo da CET passou a se debruçar sobre outra questão importante: onde implantar o projeto piloto. “Por eliminação, questões de custo, não empenhar uma grande quantidade de dinheiro em intervenções mais pesadas como cortes, acessos e coisas assim, nós optamos por filtrar vias onde houvesse uma grande quantidade de veículos, alto índice de acidentalidade e onde pudéssemos, a princípio, testar a ideia em sua forma mais simplificada, apenas com pintura. Assim, a Av. 23 de Maio se mostrou o local mais adequado dentro dos critérios”, contou. A partir de mais uma bateria de extensos testes no Centro de Treinamento da CET (com a participação inclusive do fabricante da tinta, que resultou em um azul mais luminoso contrastando com o branco inclusive à noite, diferente do já normatizado azul de sinalização para pessoas com necessidades especiais de mobilidade), tanto em pista seca quanto molhada (o pigmento desenvolvido possui altíssimo grau de aderência, SRT82), e inicialmente, sem tachas, que depois foram deslocadas para os bordos da Faixa Azul. Catadióptricos esses, que também acabaram por ser definidos na cor azul, para não se misturarem visualmente aos reflexivos brancos, já largamente utilizados. “Nestes testes, foram colocadas motos de todas as características, desde Scooters até grandes Tourings, Customs, Big Trails, praticamente todo o tipo de moto disponível. Uma vez que os usuários nos deram ‘sinal verde’, nós entramos em contato com o Conselho Nacional de Trânsito CONTRAN e a Secretaria Nacional de Trânsito SENATRAN, para solicitar, em caráter experimental, o uso desses elementos todos, alguns que fugiam do padrão, incluindo a utilização de tachas de led azul, que emitem luz e não apenas a refletem, para testar na vida real”, lembrou o diretor Luis Fernando. Outro detalhe interessante é ressaltado por ele, em relação a esta inovadora tacha luminosa: “Ela é iluminada dos 4 lados, o que acaba permitindo, não apenas ao motociclista, mas ao motorista, ambos sob quaisquer condições climáticas, de dia ou de noite, uma boa visualização do balizamento, tanto pelas janelas laterais, quanto pelos retrovisores, e que afinal, é a função principal da Faixa Azul”, revelou o diretor. Por sinal, quando em conversa com Rodovias&Vias, o secretário Ricardo Teixeira, inclusive, indicou a intenção de a SMT utilizar as tachas luminosas de led também nas ciclovias “em todos os 700 Km existentes, e até o final dessa gestão em todos os 1 mil Km. A intenção é sinalizar para o motorista a existência da ciclofaixa, da ciclovia como balizamentos”, disse.


BANDEIRANTES: SEGUNDA ETAPA, EVOLUÇÃO DO CONCEITO

Compilados e devidamente publicizados, os resultados obtidos na primeira implantação da Faixa Azul, forneceram o embasamento necessário para que fosse dado o próximo passo, incluindo ainda mais elementos da mobilidade cotidiana das grandes cidades ao conceito: “O momento agora é de verificar qual o comportamento do projeto com todas essas variáveis. Cruzamentos, presença de pedestres, semáforos, e, para isso, foram criadas outras sinalizações e incrementos. Por exemplo, as ‘caixas de espera’ para motociclistas, não existiam em todos os cruzamentos. Nós implementamos. Semáforos para os pedestres, também não estavam presentes, foram incluídas essas fases novas, bem como gradis, que antes eram inexistentes, para canalizar e ordenar o fluxo desses pedestres e mesmo prevenir travessias aleatórias. Também foram instaladas sinalizações tanto para eles quanto para ciclistas, alertando para a existência da Faixa Azul, que próximo às aproximações do semáforo, passa a ser contínua, e não tracejada, algo também utilizado em duas curvas acentuadas presentes na Bandeirantes”, falou o diretor, que faz questão de frisar: “Estamos em um processo de evolução conceitual e melhoria contínua. É um projeto que nós estamos avançando, até por que temos o compromisso de, com base nos resultados aferidos, normatizá-lo de forma adequada, por que imaginamos que eventualmente outros municípios podem vir a utilizá-lo. Inclusive sob o ponto de vista do comportamento dos motoristas e motociclistas, nós estamos monitorando muito de perto, com relatórios periódicos. E estamos recomendando que se estude essa questão com muito cuidado, pois mesmo na mesma cidade, no nosso caso, São Paulo, verificamos comportamentos diferentes na Bandeirantes e na 23 de Maio”, alertou o diretor, deixando muito clara a complexidade de um projeto que se quer completo, ainda que parta de premissas essencialmente simples. Mas, e quanto à opinião dos usuários? Claro, além das extensas entrevistas disponíveis tanto online quanto por redes sociais como whatsapp, Rodovias&Vias não poderia deixar de ir à campo e colher, no calor do momento, a percepção sem fi ltros que só a vida real, no trecho, pode oferecer. Em uma dessas conversas informais, o Motoboy Raianderson Souza de Lima, no “guidon” há mais de 7 anos na cidade, afirmou: “A Faixa Azul melhorou bastante as coisas para a gente. Dá mais segurança na rua. Quando o trânsito para, a gente não precisa ficar ‘cortando’ mais, então, ficou muito mais seguro para andar. Eu acho que melhorou bastante”, falou o profissional, que reconhece: “É uma profissão bem arriscada. Mas essas Faixas vieram pra ajudar”, frisou ele, que ainda fez questão de deixar uma sugestão: “Era uma boa ter essas Faixas (Faixa Azul) em outras vias, como a Carlos Caldeira, e na estrada do M’Boi Mirim. Tem muito acidente com motoboy lá. Acho que ia ajudar bastante”, finalizou, acelerando para mais uma entrega.


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