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Inteligência acadêmica, tecnológica e científica - Alexandre Modonezi


Secretário Municipal das Subprefeituras de São Paulo


Principal responsável pelo maior programa de zeladoria urbana do mundo, o secretário Municipal das Subprefeituras Alexandre Modonezi, rejeita o mero exibicionismo tecnológico, franqueando à eficiência uma vitória funcional. Homem de seu tempo, atento tanto às evoluções do mundo digital quanto à dinâmica do mundo real, o filósofo, especialista em ética e mestre em gestão estratégica e econômica de projetos, foca com determinação em resultados práticos. Uma atuação cerebral, cujo perfil calcado no pragmatismo, tem como objetivo central a melhoria na prestação de serviços em uma pasta que virou sinônimo de “case” de sucesso.


R&V: Existem uma série de metas direta e indiretamente associadas à Secretaria Municipal das Subprefeituras(SMSUB), dentro do Plano de Metas (PDM), da prefeitura Municipal de São Paulo, aderente aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Como está sendo desenvolvido este trabalho na sua pasta?


Alexandre Modonezi: Esse é um plano muito audacioso, que traz desafios grandes para a gestão da Prefeitura. A ideia dele é melhorarmos a cidade, diminuir a desigualdade, e ao mesmo tempo conseguir realizar várias ações descentralizadas. Quando olhamos o plano no geral, acho que temos um recorte muito claro dessa descentralização. Na secretaria das subprefeituras, creio que o maior objetivo dentro do Plano de Metas, que é bastante arrojado e desafiador para a administração do município, é o recapeamento do viário da Cidade. Nunca se fez um recape com 20 milhões de m², com tanta gente envolvida, em tantas vias, tanto equipamento e com tanta tecnologia quanto este que estamos fazendo.


Até o momento, como está a performance deste trabalho? Qual a porcentagem de execução e, claro, qual o papel de inovações tecnológicas – como a utilização do RAP espumado – para um maior alcance e eficiência nesse tipo de operação?


Concluímos já um ano de programa. Dentro da execução que tínhamos planejado, estamos conseguindo sempre atingir os 100%. Por mês, temos tido a capacidade de entregar 1 milhão de m². Mas hoje, o programa entra em uma velocidade maior. Hoje nós temos 41 fresadoras trabalhando, em um número que vai aumentar, uma vez que estamos com alguns equipamentos em fase de desembaraço no porto, e elas devem bater em torno de 50 máquinas deste tipo. Neste mês, registramos inclusive um marco recorde, de 100 vias sendo recapeadas simultaneamente. É a primeira vez que a cidade tem essa quantidade de vias passando por essas intervenções ao mesmo tempo. Em todas as regiões. E claro, para isso nós temos utilizado muita tecnologia. Como o Reclaimed Asphalt Pavement (RAP) espumado, que basicamente recicla a fresa do asfalto da via, com boa qualidade e tem dado muito resultado. Foi uma solução ótima para a Cidade. Além de ser uma solução que traz economicidade, é uma solução que apresenta vantagens sob a ótica da sustentabilidade também. Paralelamente, o uso de tecnologias de monitoramento como o GAIA, tem auxiliado a matriz de decisão sobre quais ruas devem passar pelo tratamento, uma vez que não existia uma forma objetiva de tomada de decisão nesse sentido. Hoje nós sabemos a quantidade de veículos que passam por uma determinada via, a qualidade do pavimento e o grau de deterioração dele. Depois, utilizando o Falling Weight Deflectometer (FWD), junto com o PavScan, conseguimos ter uma redução nos custos de projetos. Então, a incorporação das tecnologias facilitou tanto na decisão, como na elaboração. Isso foi sendo refinado ao longo desse ano que passou, e hoje nós temos um “estoque” de projetos para que gente faça novas vias, em um somatório aí de 5 milhões de m². Isso nos dá folga para manter o ritmo de contratar 1 milhão de m² e ao mesmo tempo entregar 1 milhão de m² por mês. Pra se ter uma ideia, de como não havia um conhecimento sobre o viário nem sobre como estabelecer uma priorização, nós tínhamos apenas um estudo, realizado ainda na gestão José Serra, que cobriu apenas 10% da malha. Em cima dele é que se baseavam todas as programações até a nossa chegada. Inclusive o próprio Tribunal de Contas do Município nos cobrava uma clareza e o estabelecimento de um critério objetivo para elencar tais e quais vias passariam por intervenções. Então o sistema veio de encontro a estes apontamentos. Os sistemas permitiram inclusive uma visualização de quanto as características de tráfego são dinâmicas e mudam muito ao longo do tempo.


O secretário mencionou as fresadoras. E em termos de usinas?


Nós estamos nos utilizando das que estão instaladas na cidade, tanto em seu perímetro quanto no entorno. Hoje são aproximadamente 8 usinas dedicadas à produção desse asfalto de recape. Mas estas são contratações realizadas pelas prestadoras de serviço. Mas este parque, também chegou ao nosso conhecimento, foi ampliado. Sabemos que por exemplo, uma usina em Osasco fez uma planta nova para atender essa demanda mais forte.

O senhor mencionou o GAIA, mas temos ainda outros sistemas usados de forma integrada pela secretaria, mesmo voltados para a zeladoria, não?


Olha, uma das maiores reclamações da Cidade de São Paulo, era justamente a qualidade do pavimento. Então, nós partimos para buscar um sistema que mostrasse para nós, em tempo real, mês a mês a qualidade do pavimento, para termos uma visão mais precisa, era primordial para atender ao tamanho desse desafio. Aí desenvolvemos o sistema GAIA, junto à Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), e cuja “ponta”, são caixas de circuito que vão embaixo dos eixos dos carros, 108 Táxis e Ubers, no caso, diariamente nas ruas, e coletando essas informações. Quando passamos a coletar esses dados, nós percebemos o problema das concessionárias, algo que até então não era muito claro. Era necessário termos um controle diferenciado. A partir daí elaboramos esse sistema auto-declaratório, em que as empresas mesmo têm condições de acessar e informar onde irão performar obras, de que maneira elas serão feitas, de uma forma que pudéssemos fazer o monitoramento e o controle tecnológico disso tudo em campo. E aí nasce efetivamente o GEOINFRA, que revelou, por sua vez um grande problema: em 3 anos desde o começo da implantação do sistema, já foram abertas mais de 86 mil valas na cidade. E isso, claro, gera um problema na recomposição desse pavimento e de solo, justamente por parte dessas concessionárias. Hoje, a maior solicitação é para que a Companhia de

Saneamento Básico do Estado de São Paulo (SABESP), que representa 92% das valas abertas na cidade, implante o RAP espumado para recomposição.


E por que?


Por conta da diferente natureza do material utilizado na recomposição, que ou deixa uma elevação, ou gera uma depressão. E isso influencia muito na qualidade final e claro, na rodagem. Por sinal, a Prefeitura está elaborando o edital para que as usinas possam fornecer RAP Espumado para as equipes de zeladoria nossas, para que também passemos a utilizá-lo nas reformas de sarjetão, calçadas e todos os outros reparos que fazemos pela cidade, como galerias e tubulações, ao invés de usar brita, cimento, para afinal usar esse material que dá realmente muito pouca deformação em todas as obras em que o temos utilizado. O fato é que o GEOINFRA foi uma revolução na gestão com as concessionárias. Principalmente para entendermos o tamanho dos custos envolvidos. Que é um prejuízo aí, causado pela SABESP de cerca de R$ 1 bilhão ao ano. Então, o sistema vem como uma forma de garantir um bom trabalho na cidade, para que estes agentes também colaborem para manter a boa qualidade de pavimento na cidade.


Verdade, fica um pavimento de retalhos, complicado até de se realizar uma pintura viária...


Exatamente. Por outro lado, uma outra coisa que o GAIA nos possibilitou, no Programa de recape asfáltico, foi monitorar a qualidade, os sistemas geraram muita informação útil para nos auxiliar nas tomadas de decisão. E o mais importante, decisões acertadas, em um nível que não tínhamos antes na cidade.


É a cidade que não dorme, afinal de contas. Hoje, quais são as principais vias que estão passando por obras neste sentido?


Priorizamos as vias arteriais e coletoras, as vias principais da cidade, onde 100% do tráfego passa por elas, assim como 100% têm o tráfego do transporte coletivo, visando justamente melhorar a qualidade de viagem dos passageiros nos ônibus, que afinal, é uma determinação do prefeito, e que estamos seguindo. Temos feito um esforço grande para melhorar essas vias. Nós começamos agora no segundo semestre, a intervir em algumas ruas locais, em todos os distritos da cidade, que também são muito importantes, pois possuem presença de comércios e isso acaba gerando tráfego. Então, iniciamos também essas ações de forma mais distribuída, distritalizada. Importante ressaltar que o programa de recape gera 3 mil empregos diretos, neste que eu não tenho dúvida, é o maior programa desse tipo no país.


Existe também, uma programação específica para as trocas de tampas de bueiros, não? Como isso funciona?


Nós temos que atuar quando existem situações de quebras e furtos, fazendo a troca dessas tampas. Elas são colocadas pelas equipes de galeria das subprefeituras, em um tipo de operação que é recorrente. Mensalmente, em todas as 32 subprefeituras. É um serviço contínuo, e é feito conforme verificamos danos quando as equipes, por exemplo limpam as “bocas de lobo”, ou quando chegam reclamações de tampas quebradas ou furtadas. Mas, é um trabalho rotineiro para as 68 equipes de galeria em todas as subprefeituras.

O senhor mencionou algumas parcerias importantes com instituições tecnológicas e da academia, como estas colaborações acontecem?

Nós temos um bom relacionamento com a Politécnica da USP, com o professor Flávio Maranhão com o Centro Tecnológico da Mauá, com o IPT, junto à professora Liedi Bernucci, que é uma das maiores especialistas do Brasil em pavimentação, foi a primeira professora a assumir a diretoria da Poli, em uma interlocução muito boa com a academia. Acredito que não teríamos conseguido realizar o que fizemos e estamos fazendo sem o apoio deles. É um fato que eu busquei alternativas até no exterior, mas nenhum país tem os problemas da forma que nós temos, na extensão que nós temos. Basta colocar em perspectiva que não é exatamente qualquer país que tem aí uma cidade de 12 milhões e 300 mil de habitantes. E no final nós conseguimos, com a comunidade acadêmica, criar um sistema que se utiliza de equipamentos leves, baratos e que, acima de tudo, funcionam muito bem. Isso demonstra que a academia brasileira é muito boa. Podemos observar as soluções das multinacionais na área de sistemas, mas vamos constatar que a nossa solução na área de zeladoria, é superior. E fruto de um trabalho com técnicos e pesquisadores que entenderam uma realidade sem paralelos. A cabeça dos nossos sistemas é brasileira. Outra coisa, é que desde o início, nós tínhamos muita clareza do que precisávamos, pois é muito fácil acabar abrindo um leque muito grande de outras coisas quando está se desenvolvendo sistemas. São iniciativas desse tipo que frutificam por exemplo nas estações que temos, com sensores instalados e que medem as lâminas de água em tempo real. E claro, hoje tudo isso é integrado com a Defesa Civil. Mesmo quedas de árvore, hoje abrimos a ordem de serviço via sistema, de forma já automatizada e colaborativa, envolvendo munícipes, bombeiros, Polícia Militar, via CCO, que centraliza e valida essas demandas para que elas tenham tratamento adequado. Tudo isso também está associado ao nosso sistema de zeladoria, que em questão de segundos consegue receber uma OS e ir fazer a poda ou remoção dessa árvore. Hoje nós sabemos quando e onde caíram. Muitas vezes, recebíamos relatórios dizendo que “duzentas árvores” tinham caído, aí cruzávamos com as OS executadas e verificávamos que não havia duzentas quedas, mas sim 200 reclamações, muitas delas de pessoas que passaram por um mesmo ponto. Assim, nós conseguimos filtrar melhor isso. Ter uma noção melhor do que este acontecendo. No fim, é mais eficiência e melhoria dos tempos de respostas.


Outra recuperação que está acontecendo, muito importante, está alinhada à

Programação “Todos Pelo Centro”, e a uma nova abordagem dentro do programa de “Caminhabilidade”, com forte apelo de atração turística, para que os turistas voltem a desfrutar do centro. Como tem sido a participação da SMSUB nesse esforço?


Do ano passado para cá, temos trabalhado na recuperação das calçadas, e também na região de tráfego de automóveis, como a Rebouças, 23 de Maio, Tiradentes, todas integrantes do Programa. Mas outra parte importante do “Todos pelo Centro” é uma intensificação da limpeza em toda a região. Temos lavado todas as calçadas, em uma ação totalmente diferente. Também temos atuado na troca da iluminação, em uma programação que se iniciou aqui. O diagnóstico das áreas que estão escuras, ou que possuem iluminação que deve ser trocada, é feito por aqui.


Muito provavelmente, estas ações têm suporte do sistema de zeladoria (SGZ) implantado pela SMSUB, correto?


É importante ressaltar, que até 2019, São Paulo era uma cidade 100% analógica, os munícipes registravam suas demandas, que chegavam às subprefeituras, mas era tudo feito no papel, e isso gerava uma demora nas respostas. Por isso nós partimos para um processo digital e automatizado para que pudéssemos até nos planejar melhor para atender essas demandas. Foi então estabelecemos as premissas do Sistema de Gestão de Zeladoria. Em que pese tenhamos uma atuação forte nas 32 subprefeituras, a administração é concentrada. Nós começamos então, pela automação dessas demandas, tornando-as uma prioridade dentro do atendimento da zeladoria, que até então não era assim. Com isso conseguimos atende-las em prazos cada vez menores, com um melhor controle de todas as equipes, e todas as Ordens de Serviços também eletrônicas. Houve uma certa desconfiança no começo. Muita gente não acreditava que fosse algo funcional de fato. Mas hoje nós temos o maior sistema de zeladoria do mundo, que já foi premiado 4 vezes. E é um sistema que atua do começo ao fim, pois também, após a execução do trabalho, emite uma devolutiva ao munícipe. Uma solicitação comezinha, uma poda de árvore, antes levava 525 dias. Hoje fazemos em menos de 40 dias. E o sistema também permite a integração com sistemas de outras concessionárias, o que gerou uma melhora enorme nos tempos de resposta. Em 3 anos, foram realizadas, dentro do sistema, o atendimento à 1 milhão e 747 ordens de serviços cumpridas.


Que mensagem o secretário registra aos leitores do nosso segmento construtivo, e do Brasil em geral?


Aos empresários, quero dizer que São Paulo é uma Cidade que está investindo, em um ciclo, nesta gestão, que nunca teve similares em termos de recursos empregados, do ponto de vista de pessoas, recursos humanos, equipamentos, tecnologias e de investimentos financeiros e abrangência das ações. Então, vir trabalhar na Cidade de São Paulo, vale a pena. Aos munícipes, quero registrar que nós estamos nos esforçando sempre para fazer o melhor, o mais rapidamente possível, com a melhor qualidade disponível. Sabemos da urgência. São Paulo não para. E precisamos fazer as coisas na velocidade que a cidade exige.



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