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EXCLUSIVA ORLANDO MORANDO

Prefeito de São Bernardo do Campo



Uma gestão feita de coragem


Certa vez, o primeiro ministro inglês Winston Leonard Spencer Churchill, em um de seus conhecidos momentos de genialidade como aforista, disparou que “a coragem é o principal dos valores, pois garante a existência de todos os outros”. Suas frases, que constituem um manual para qualquer bom estadista, parecem encontrar ecos na administração da cidade paulista de São Bernardo do Campo, sob o comando do prefeito Orlando Morando Júnior, cuja trajetória como empreendedor foi acrescida de vasta experiência no legislativo, para encontrá-lo finalmente no gabinete do executivo do berço da indústria automobilística brasileira. Dinâmico, ágil e assertivo como sempre, ele recebeu mais uma vez, as equipes de Rodovias&Vias, para uma conversa que perpassa seus dois mandatos, revisita a história e apresenta realizações.


Rodovias&Vias: O senhor, ainda que esteja cuidando de um município, conserva uma visão muito clara do contexto em que este, e sua região participam em termos de abrangência maior, de estado. Esta é uma qualidade herdada ainda do seu período como legislador e fruto dos amplos debates aos quais participou nas câmaras e assembleias?

Orlando Morando: O progresso e o desenvolvimento de São Bernardo, o progresso e o desenvolvimento de São Paulo, o progresso e o desenvolvimento de todas as cidades são interdependentes e intrínsecos. Este tem que ser o entendimento. O estado só vai bem quando todas as cidades conseguem avançar. E avanço, nós pudemos desde muito cedo compreender, depende da qualidade da logística e da mobilidade, que realmente acontecem nos municípios, e entre eles.


Sob este prisma então, podemos presumir que o alinhamento com o Palácio dos Bandeirantes é um grande contribuinte, não?

Olha. É necessário. Fundamental. O governador Rodrigo Garcia é um municipalista por essência, pela sua própria vivência e trajetória políticas. Como fui deputado estadual, posso afirmar sem sombra de dúvida, que a gestão do Rodrigo, é o melhor governo que as Prefeituras do estado de São Paulo tiveram nos últimos 30 anos. Desde Franco Montoro. É óbvio que o estado tem uma condição de investimentos muito melhor do que outros entes da federação, mas o que fica evidente é que uma boa gestão, munida principalmente de um espírito público, que entenda que a vida das pessoas está na vivência das suas cidades, com todas as suas virtudes e problemas, é o primeiro passo para a montagem de uma estratégia coerente de administração. E o governo Rodrigo Garcia tem essa característica descentralizada. Cito como exemplo, a obra do nosso viaduto estaiado, um empreendimento de R$ 150 milhões, com R$ 120 milhões de contrapartida do Estado de São Paulo. Nunca antes a cidade teve um convênio com o governo estadual em uma envergadura como essa. Naturalmente, a articulação, com uma atuação muito forte e presente da deputada Carla Morando, foi instrumental para que esse, entre outros projetos acontecessem. A presença de um parlamentar que conheça bem e defenda os interesses da região, da cidade, favorece e muito um melhor acolhimento de ideias e de uma linha argumentativa mais concisa, que efetivamente tem capacidade para detalhá-las e mostrar a viabilidade dessas propostas. Somente nesta gestão, São Bernardo do Campo recebeu 2 restaurantes populares “Bom Prato”. Estamos iniciando também uma grande ação de urbanização em um de nossos bairros, com 100% de recursos advindos do governo estadual, assim como a Avenida do Estado , que está sendo também inteiramente requalificada, com recursos do governo.


Para contextualizarmos melhor, quando o senhor assumiu o gabinete no primeiro mandato, havia uma série de obras paradas. Como foi possível criar as condições para retomá-las?

Nós tínhamos mais de 70 obras paradas na cidade, sem nenhum tipo de andamento. Dentre elas, a mais drástica era o “Piscinão do Paço Municipal”, um dos maiores fatores contribuintes para as enchentes constantes em São Bernardo. Foram mais de R$ 100 milhões em investimentos somente por parte da Prefeitura, com toda a parte de drenagem. Além desta, que era uma verdadeira chaga, uma ferida literalmente aberta na cidade, retomamos 3 viadutos, igualmente abandonados: o Viaduto da Rotary, o Castello Branco e o Viaduto Mamãe Clory. Terminamos todos estes e ainda fizemos diversas alças de acesso novas para os Viadutos com destaque para o Teresa Delta. Então considero muito mais importante do que começar novos empreendimentos, terminar os que foram deixados para trás. Juntamente a estas obras viárias, promovemos muitas outras de habitação, de urbanização, a maioria delas em encostas. São Bernardo tem uma topografia muito atípica, com muitos aclives, o que ocasionou no passado muitos problemas com deslizamentos, mortes. Isso hoje é uma página virada. Fizemos o tratamento de todas elas, sendo que a última recebeu um investimento de R$ 10,8 milhões para ser solucionada. Voltando um pouco à questão do nosso viário, nós estamos promovendo uma reconfiguração e ampliação completos da Avenida Newton Monteiro, que desafogará o trânsito do Centro da cidade, pulando da antiga pista dupla, para 6 faixas de rolamento e um corredor BRT. De fato, temos o maior programa de renovação da malha viária da história de São Bernardo do Campo, com 408 Km de recapeamento asfáltico atendendo 1.150 vias dentro da cidade. Tudo com recursos do Estado e da Prefeitura. Zero recursos Federais.


Notamos uma forte orientação para as modernas concepções da mobilidade urbana. De que forma se deu esse processo dentro da sua plataforma estratégica?

Não há como conceber as metrópoles sem investimentos sérios na mobilidade urbana. Quer seja com duplicação de vias já existentes, implantação de novas vias, pontes e viadutos, quer seja nos sistemas que atuam aí também: o transporte coletivo. Aí, os corredores de ônibus foram uma demanda reprimida, necessária e por muito tempo até mesmo atrasada nas metrópoles brasileiras. O cidadão fica muito tempo no transporte coletivo. E nós temos a sensibilidade de entender que este é o tempo mais perdido da vida de qualquer pessoa. Esse tempo, que não volta, desperdiçado, em que não se está com a família, não se está na escola, não se está trabalhando, além de contraproducente, desestimula a utilização do sistema público de transportes. Ao contrário, um transporte bem estruturado, significa, além de qualidade de vida, mais produtividade. O cidadão chega mais disposto para trabalhar e volta para casa em condições de desfrutar de um convívio familiar, sem estar cansado e estressado. Por isso a nossa oferta aqui é de ônibus climatizados, com carregadores de telefone, sinal de Wi-Fi, tudo isso disponibilizado em uma frota nova, a frota mais nova de ônibus de todo o ABCD paulista.


Que roda em um viário renovado, com mais conforto...

om mais conforto e confiabilidade. Essa frota renovada, aliás, advém de uma concessão, que, na minha opinião é o modelo mais indicado para essa natureza de transporte. Até por que vejo a iniciativa privada mais eficiente no aspecto operacional.


Paralelamente, já que o tema é mobilidade, temos um salto importante aí nas ciclovias, um modal crescente em tendência no país inteiro.

Sim, Nós praticamente não tínhamos ciclovias na cidade. Fizemos as primeiras. Estamos indo bem nesse quesito, mas considero que o que temos ainda é pouco para o tamanho de São Bernardo. Precisa ser feito mais.


Curiosamente, uma mudança até de comportamento, de pensar uma cidade que talhou boa parte de sua história em torno do automóvel e sua corrente produtiva.

É verdade, uma vocação industrial que permanece muito forte. Na verdade, é a chegada da indústria no Brasil. Uma história que começa com a chegada da Ford, que sai do Ipiranga para São Bernardo, seguida em cascata por Volkswagen, Mercedes-Benz, Toyota e Scania, que têm uma planta tão ou mais moderna da que existe na Suécia. Tanto que antes da guerra na Ucrânia, os caminhões que iam para a Rússia eram fabricados em São Bernardo do Campo, tamanha a competitividade que essa fábrica deles aqui tem, com mão de obra qualificada, grandes investimentos e muita tecnologia. Destas, todas que permaneceram aqui estão indo muito bem, geram muito emprego e renda em toda a região do ABC e em toda cidade.


E que evidentemente, exerce maior pressão sobre os serviços públicos.

É um ciclo muito positivo. E o nosso papel tem sido realmente oferecer as condições para que tudo corra bem, para que as operações corram bem, suportadas por uma prestação ágil, descomplicada, de qualidade e alto nível.


Nesse cenário, o senhor assumiu São Bernardo, em um momento em que se robustecia um debate mais amplo quanto à ações voltadas à sustentabilidade, com muitos destes players que o senhor menciona, procurando melhorar suas práticas, diminuindo suas pegadas de carbono e diminuindo emissões, adotando também maior transparência em seus processos. Como a prefeitura acompanhou esse novo alinhamento?

Nós absorvemos tudo isso muito bem. Ninguém pode estar de fora da pauta ambiental, de redução de emissões, de reconstituição de matas e demais compensações ambientais. Nossa gestão entende que o meio ambiente é um tema universal e transversal à todas as pastas da administração. Todas as nossas obras encontram os parâmetros compensatórios e de mitigação, e, como disse, esse processo de termos uma frota nova, acabou incidindo também sobre a opção por uma transição à uma eletrificação do transporte, que em breve, será de 100% já este ano. Por meio da concessionária e a empresa Eletra como fornecedora. Nós entramos para o Guiness Book of Records, como a cidade que mais recicla óleo comestível do mundo, e estamos empenhados em manter essa distinção. Então, quando digo que esta é uma pauta transversal, é por que realmente ela está dentro das nossas secretarias, de Habitação, Transportes, além da própria Secretaria de Meio Ambiente.


Esta aderência à práticas de ESG, certamente deve facilitar a captação junto à instituições financiadoras internacionais, cada vez mais exigentes quanto à qualidade de empreendimentos que privilegiem o tema, não?

Com toda certeza. Eu estive há pouco em um seminário promovido pela CAF (Corporação Andina de Fomento), em que as palavras de ordem, são os tópicos ambientalmente corretos. Eu inclusive, quando retornei ao Brasil, declarei que, os municípios e os estados que não estiverem se atualizando sobre as questões voltadas ao Meio Ambiente, dificilmente conseguirão ter acesso aos créditos internacionais. O primeiro item, após o rating de avaliação para a tomada do empréstimo aprovado, é justamente associado às questões socioambientais. Quem não estiver atualizado, terá diante de si portas fechadas. Mas, São Bernardo foi bem-sucedida em se atualizar. Quando assumi, o nosso score era

“D-“. Hoje nós somos “A+”. Esse rating é a melhor nota histórica do município e aferido pela Caixa Econômica Federal. Para tudo isso, é preciso responsabilidade. Fazer a lição de casa elementar, de não se gastar mais do que se arrecada. Mas nem sempre foi assim. Infelizmente, a gestão anterior à nossa, nos deixou dívidas da ordem de R$ 200 milhões. Até mesmo a conta de luz da Prefeitura estava com 3 faturas atrasadas. Tive que fazer um projeto de Lei para a Câmara, pedindo autorização para parcela-la. Um momento tão complicado, em que até representantes do partido que administrava a cidade antes, manifestaram favoravelmente a ele.


Então, essa grande transformação estrutural e de infraestrutura, acontece com participação de bancos de fomento, em boa monta?

Eles foram fundamentais. Os bancos não são acessíveis à todas as prefeituras, é preciso ressaltar. É preciso ter linha de crédito, rating que permita. Tem que ter índice de endividamento, capacidade para a tomada de novos investimentos. É responsabilidade. Até por que todo crédito internacional tomando por um município, tem que ter aval do Senado Federal, por que o fiador desse empréstimo é a União. No caso de inadimplência, a União paga, mas acaba bloqueando a transferência de recursos ordinários. Mesmo a sua capacidade de execução é medida. Tanto que a CAF nos colocou como o município brasileiro com maior capacidade de endereçar adequadamente os recursos captados. Ou seja, capacidade executiva daquele recurso. Por sinal, no seminário que eu mencionei, onde havia muitas autoridades, de muitos lugares do mundo, do próprio Estados Unidos, Argentina, Bolívia entre outros. Eu era o único representante brasileiro, justamente para apresentar lá o nosso case, a nossa experiência e os projetos que deram e estão dando certo. Algo que muito nos honrou, mas que acima de tudo, marca o reconhecimento pelo nosso trabalho à frente de São Bernardo do Campo.


A partir disso, podemos depreender que sua gestão, mais que legados, deixa uma assinatura. Um modo de fazer as coisas. Como você o definiria?

A gestão pública eficiente não pode se acovardar diante de paradigmas. Precisa quebrá-los, e isso inclui austeridade, eliminar os excessos dentro do funcionalismo e mesmo alguns ditos privilégios. É uma questão de coragem. Falar em gestão, muitos falam, mas buscar a economicidade, real eficiência no uso dos recursos, é muito difícil de ver fazer. Não é apenas cortar a carne, é cortar tudo o que não for essencial para a prestação do serviço.





















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