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A COR QUE VENCEU A MORTE

Atualizado: 20 de fev. de 2023


Com pouco mais de 1 ano de implantação, desde sua estreia na Avenida 23 de Maio, a Faixa Azul – concebida pela diretoria de Planejamento da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) - da Cidade de São Paulo, como um elemento balizador de trânsito, mostrou-se denitivamente, um componente fundamental dentro de uma moderna abordagem de segurança viária.


T al conceito, humanizado, caracterizado pela preservação da vida neste ambiente composto por tantas variáveis complexas (ou francamente impossíveis), de serem levadas em conta dentro de um projeto, encontra uma meta ambiciosa, estipulada pelos maiores especialistas da matéria em escala mundial, e amplamente difundida, por exemplo, pelo iRAP (International Road Assessment Programme) – a chamada “Visão Zero”, segundo a qual, não é admitida nenhuma morte ocasionada por acidente de trânsito. Um caminho sem dúvida difícil de ser encontrado, mas que a CET parece ter começado a trilhar. Subiam ao céu os balões azuis e brancos, em suas evoluções aleatórias, ao som de diversas buzinas sob o sol de verão. Organizada e alinhada, encabeçada por motocicletas com sinalizadores estroboscópicos, conduzidas por agentes de trânsito, uma longa fila se formava, como um grande desfile em duas rodas pela Capital do Estado de São Paulo. A intensidade alta de tráfego, ordinariamente ali, seria um motivo para irritação de condutores, porém desta vez, a atmosfera era inquestionavelmente de celebração. E não para menos. A fixada no viaduto logo adiante, uma grande faixa estendida dava conta da ocasião. Nela, lia-se: “Faixa Azul. 1 Ano, Zero Mortes”, uma frase absolutamente impactante, ladeada pelo logotipo da CET e pelo Brasão da Cidade de São Paulo, representando ali a sua Prefeitura. Quem ali passou e pôde presenciar a cena que acaba de ser descrita, provavelmente não teve a dimensão histórica do que o breve evento (que além do prefeito Ricardo Nunes, contou com as presenças do secretário Municipal de Mobilidade e Trânsito Ricardo Teixeira e do diretor de Planejamento da CET e criador do conceito Faixa Azul, Luiz Fernando Devico) ali assinalou. Desde a implantação, um ano atrás, nenhum motociclista perdeu sua vida nos 5,5 Km de Faixa Azul, um êxito enorme, em uma Avenida que entre 2018 e 2020, registrou 12 óbitos por acidentes de moto, isto, pondo em perspectiva que a cidade registra ao menos 1 morte por dia entre os usuários deste meio de transporte. O que poderia ser considerado uma mera coincidência, é embasado por outros números aferidos pela Companhia: a “taxa de severidade” (um índice utilizado internacionalmente e inclusive adotado pelo Departamento nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e que estabelece critérios para caracterizar acidentes de menor monta, média monta, grande monta, danos materiais, escoriações, machucaduras leves, lesões graves, permanentes e óbitos, levando em conta volume de tráfego e extensão da via), caiu. Aliás. Caiu não. Despencou. De acordo com informações coletadas pela CET: “Aplicando a metodologia às estatísticas desse primeiro ano de funcionamento, a Faixa Azul da Av. 23 de Maio alcançou resultados expressivos para a preservação da integridade e da vida de quem conduz motocicleta. Entre 25 de janeiro de 2022 e 23 de janeiro de 2023, a "Taxa de Severidade" da Faixa Azul da Av. 23 de Maio ficou em 3,19 UPS/Milhão de Motos/ Km (Unidade Padrão de Severidade por milhão de motos por quilômetro). Em relação à "Taxa de Severidade" das motos que circularam fora do espaço da Faixa Azul, a taxa é três vezes menor. Fora dela a taxa foi de 9,23 UPS/Milhão de Motos/Km”. Vale lembrar que a companhia avaliou mensalmente a performance, que mesmo entre leigos pode ser considerada excelente, uma vez que o projeto mostrou enorme adesão por parte de motociclistas e um alto grau de aprovação por parte dos motoristas, por trazer maior previsibilidade ao fluxo e melhor condição de antecipação das mudanças de faixa. Tanto que o projeto foi ampliado para a Avenida Bandeirantes. E este foi apenas o começo, pois o prefeito da Cidade de São Paulo, Ricardo Nunes, que também esteve presente à ocasião, posicionou-se da seguinte forma: “Acabei de autorizar a extensão da Faixa Azul para mais 220 km. Isso é experimental, algo inédito no Brasil. Depende de autorização da Senatran, mas com os resultados que a gente teve aqui (Avenida 23 de Maio), sem óbito, é óbvio que teremos a autorização”. Ainda, de acordo com informações da prefeitura, “Para ampliação do projeto serão feitos estudos de viabilidade em vias como a Avenida Ipiranga, Avenida Senador Queirós, Avenida do Estado, Avenida Rangel Pestana, Viaduto Dona Paulina, Rua Maria Paula, Viaduto Jacareí, Viaduto 9 de Julho, Avenida São Luís, Marginal Tietê, Marginal Pinheiros, Avenida 23 de Maio, Avenida Rebouças, Rua da Consolação, Radial Leste, Avenida Washington Luís, Avenida Rubem Berta, Avenida Senador Teotônio Vilela, Avenida Guarapiranga, Avenida Aricanduva, Avenida Eliseu de Almeida, Avenida Francisco Matarazzo, Avenida Salim Farah Maluf, Avenida Edgar Facó e Avenida Inajar de Souza”.


Iniciativa premiada


Em um reconhecimento ao grande valor do projeto, a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), vinculada ao Ministério dos Transportes, em Dezembro de 2022, entregou à CET o 1º Lugar do prêmio “Senatran 2022”, na categoria “VIII - Órgãos Integrantes do Sistema Nacional de Trânsito (SNT) dos Municípios”. A distinção, entregue anualmente pela secretaria para os mais destacados projetos técnicos científicos e artísticos voltados à temática de segurança no trânsito, é atualmente dividido em 10 categorias, e tem como objetivo, constituir um incentivo à produção de trabalhos voltados à esta disciplina, foi entregue ao diretor de Planejamento da CET, Luiz Fernando Devico, que declarou: “A todos que trabalharam neste projeto. A todos que contribuíram com seu conhecimento e experiência. E a todos que divulgaram e apoiaram o Projeto Faixa Azul, meu agradecimento e gratidão”. Por fim, convém lembrar: o Brasil é signatário da “Nova Década Mundial de ações para Segurança no Trânsito” (2021 – 2030), e se comprometeu, portanto, em reduzir os números de acidentes e mortes no trânsito. Naturalmente, não é difícil presumir que a Faixa Azul poder vir a se tornar um contribuinte de peso para o alcance deste objetivo.

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